A seleção feminina dos Estados Unidos perdeu por 2 a 1 para o Brasil, em São Paulo, na Neo Química Arena, na noite de sábado, diante de uma grande torcida local, no primeiro de dois amistosos contra as campeãs sul-americanas.
Embora o público tenha se concentrado na parte inferior do estádio, que é a casa do famoso clube brasileiro SC Corinthians Paulista, os torcedores encheram o local de apoio aos anfitriões da Copa do Mundo de 2027, manifestando-se como o 12º companheiro de equipe em campo. Eles saudaram cada posse dos EUA com fortes protestos e comemoraram cada avanço brasileiro, desde interceptações até desarmes e chutes a gol.
A atacante Sophia Wilson deu vantagem inicial aos EUA com um gol aos dois minutos, o primeiro pela seleção desde 2024 e quando se tornou mãe. O companheiro atacante Trinity Rodman ajudou a criar a oportunidade com sua alta pressão.
Sophia Wilson marca seu primeiro gol no USWNT desde 2024 e em menos de DOIS MINUTOS 😤 pic.twitter.com/G7IB2l1nFA
— Futebol B/R (@brfootball) 6 de junho de 2026
O Brasil respondeu nove minutos depois, quando a atacante do Palmeiras, Taina Maranhão, de 21 anos, acertou cruzamento da lateral Isabela Chagas.
A entrega veio de uma cobrança lateral brasileira perto da linha final, uma ameaça que os EUA já haviam identificado, com a técnica do USWNT, Emma Hayes, dizendo que houve 117 por cento mais cobranças laterais em partidas brasileiras.
Aos 14 minutos, as campeãs sul-americanas ampliaram a vantagem, resultado de uma combinação de atuais e ex-jogadoras da Liga Nacional de Futebol Feminino. Bia Zaneratto, que jogou pelo Kansas City Current, carregou a bola no meio-campo e absorveu a pressão dos esforços defensivos dos Estados Unidos. Ela soltou a bola para Dudinha, de 20 anos, que lidera o San Diego Wave em assistências. Depois de passar pela defesa norte-americana, Dudinha devolveu a bola para Zaneratto, que se abriu para uma finalização certeira. O resultado é o mesmo placar da última vitória do Brasil contra os EUA em abril de 2025, que Hayes descreveu como colocando jogadores na frigideira. É também a primeira vez que os EUA perdem duas vezes consecutivas para o mesmo adversário desde 2011 (a outra foi contra a Suécia).
Esta partida e o jogo seguinte, na terça-feira, pretendem ser um ajuste para a Copa do Mundo – mesmo que os EUA ainda precisem se classificar para o torneio de 2027, que acontecerá em novembro. O Atlético discute as principais conclusões de uma partida desafiadora contra um candidato à Copa do Mundo impulsionado pela vantagem de jogar em casa.
Sophia Wilson voltou aos EUA no início deste ano depois de tirar uma licença para constituir família. (Brad Smith/Getty Images)
O início quente do USWNT fracassa rapidamente
O Brasil não deu muito tempo aos EUA para comemorar o gol madrugador de Wilson, por mais importante que fosse o marco para uma das maiores estrelas da seleção norte-americana. Wilson continuou a dominar a partida, apesar do placar final de 2 a 1. Ela estava em todo o campo e quase marcou dois gols.
A seleção sul-americana, no entanto, rapidamente mudou o ímpeto a seu favor, com o empate do Maranhão apenas nove minutos depois. O ritmo acelerado do Brasil continuou quando Zaneratto, outra estrela do Palmeiras, marcou o segundo gol três minutos depois.
O Brasil conseguiu dominar o primeiro tempo. No início do segundo tempo, Hayes trouxe substitutos como Michelle Cooper e Avery Patterson para ajudar a equilibrar o resto da partida, enquanto os EUA buscavam o segundo gol.
Os primeiros 80 minutos foram certamente uma atuação impressionante da goleira brasileira Letícia, que foi substituída no final da partida, após esticada, pela capitã e veterana Lorena.
Este jogo foi um campo de testes tanto para os EUA quanto para o Brasil, que passou no exame em tempo integral. —Melanie Anzidei
A atacante brasileira Ludmila também joga na NWSL pelo San Diego Wave. (Brad Smith/Getty Images)
Por que jogar no Brasil é importante
Embora o placar final não tenha sido o que os EUA lutaram no sábado, esta seleção nacional mostrou por que às vezes uma derrota é exatamente o que eles precisavam. Afinal, é melhor perder agora para o Brasil do que no ano que vem, quando o país sediar a Copa do Mundo de 2027.
Hayes sabia que jogar contra o Brasil nesta fase de preparação para as eliminatórias da Copa do Mundo era extremamente importante – não apenas porque os brasileiros são um dos adversários mais ferozes do mundo, mas também porque jogá-los em seu próprio quintal traz uma série de desafios que vão além do campo de jogo real.
O clima dentro da Neo Química Arena era eletrizante, e isso ficou evidente até durante a transmissão. O estádio estava movimentado para o Brasil, que é um lugar desconfortável para os adversários jogarem. Cada jogada positiva do Brasil veio com uma trilha sonora de aplausos, enquanto cada jogada dos EUA veio com uma cacofonia de vaias.
Mais de 30 mil pessoas compareceram para ver o Brasil enfrentar os EUA (Alexandre Schneider/Getty Images)
Nesses ambientes, pode ser difícil para os jogadores ouvirem uns aos outros. As emoções podem estar mais intensas do que o normal. Há também os benefícios óbvios de conhecer as cidades, os hotéis, os estádios, as superfícies de jogo e o clima, bem como o teste inestimável de viajar para o país como uma unidade.
O jogo também oferece um teatro para os EUA estudarem em tempo real a fisicalidade, os jogos mentais e as táticas de perda de tempo do Brasil.
O desafio mais importante – que está se tornando uma especialidade de Hayes nos campos de treinamento dos EUA – é poder jogar contra o Brasil consecutivamente. Por mais importante que tenha sido o primeiro jogo, o segundo jogo de terça-feira, e a forma como a equipa responde a uma derrota, será ainda mais importante. —Anzidei
A brasileira Dudinha foi peça chave no ataque de sua seleção na sexta-feira. (Alexandre Schneider/Getty Images)
A profundidade do talento ofensivo do Brasil
Hayes acredita que Dudinha tem potencial para se tornar um dos atacantes mais perigosos do mundo.
“Ela pode aterrorizar as defesas. Acho que não apenas com seu ritmo, mas é seu ritmo na posse da bola. Ela pode entrar; ela pode sair. Ela é imprevisível”, disse Hayes em entrevista coletiva antes do jogo na sexta-feira. “Você não pode mergulhar contra ela, mas também não pode mostrar abertamente a ela um caminho, porque acho que ela pode fazer qualquer um dos lados.”
A paciência defensiva seria a chave para administrar essa ameaça, disse Hayes, e ficou claro no primeiro tempo por que o técnico dos EUA falou tão bem do jovem atacante do San Diego Wave. Sua assistência para Zaneratto aos 14 minutos foi apenas uma indicação de seu forte envolvimento no ataque do Brasil; A capacidade de Dudinha de interagir com ela e com o Maranhão tornou a tarefa desafiadora para a retaguarda dos EUA.
Presença constante no Wave, Dudinha vem ganhando cada vez mais minutos pelo Brasil. Ela marcou um gol e deu uma assistência na Copa América Femenina do verão passado e soma 18 partidas pela seleção principal e seis gols.
Dudinha, disse Hayes, “é uma jogadora destinada a um futuro enorme. Acho que ela tem todas as qualidades para ser uma das melhores. Então, que grande oportunidade temos de defendê-la, e em seu país de origem, porque esses são os testes que tanto queremos para o nosso time”. – Tamerra Griffin